Série: Quando ver o mar (2020)

Obra publicada em conjunto com o ensaio “Sentimento oceânico” no azul turqueza, pela revista Ano I: ensaios.

“Às vezes quando fecho meus olhos consigo recordar pequenos detalhes de um tempo que se foi, como a vez em que afundei-me no mar, deixando que as águas quentes da ilha de Itaparica me ninassem. Naquele pedaço de mar de um azul turquesa, desprendi-me de tudo o que acontecia ao redor para ouvir o encontro das pequenas ondas com meu corpo que paralelamente acompanhava os movimentos. Naquele momento eu sabia que estava sendo presenteada com a eternidade do segundo.

Não sei quanto tempo fiquei contemplando o azul do céu enquanto sentia o sal das águas enrijecer minha pele, muito menos há quantos anos tive essa experiência, pois ela se apresenta em minha memória de modo vívido, fazendo com que poucas lembranças me aproximem da mesma sensação. Assim, confesso que busco a mesma experiência em situações que me levam a esse sentimento: a sensação de completude.”

Se Òriṣà presenteia-nos de diversos modos, vejo que entender a nossa pequenez diante das coisas do mundo faz parte do próprio movimento do aṣè. Essa imagem apareceu insistentemente durante semanas em meus sonhos. Iyemàája vem até mim para me fazer lembrar da importância da família, de minhas irmãs e de como a distância não afasta o sentimento que existe entre nós. Aqui, o tempo junta-se às águas do mar para polir meu presente.