Série: As faces de quem não sou (2020)

Série de fotografias e vídeo nos quais há um jogo da memória composto por retratos 3×4, tirados nos últimos 18 anos. A obra é composta por 7 fotografias sequenciais que demonstram o movimento da supressão das imagens.

As imagens são diferentes enquanto registro de um evento e apontam para versões diferentes do isso foi, e participam da constituição subjetiva do que eu sou na atualidade. Se as imagens devessem estar espelhando objetivamente o que sou, elas não poderiam representar faces diversas de uma mesma pessoa, ou variações que aproximam de quem sou ou que representam um outro sujeito, aquela imagem que não reconheço, traços da fotografia, dos objetos que ficaram no tempo, rompendo, portanto, a ideia de objetividade representacional e atemporal da imagem.  Circundando as peças tem-se uma conta religiosa que faz referência à Òriṣà Nàánàá, que é o traço invisível que delimita todas as imagens e que liga-se à minha subjetividade que persiste ao longo do tempo.

Mayã Fernandes

As faces de quem não sou, 3:42”, (2020).

Tradução livre do canto em yorùbá presente no vídeo:

Com o ìbírí

Òrisà da justiça

Nànánàá espírito dos mananciais

Kaurí de Nàánàá

 

Com o ìbírí

Òrisà da justiça

Com o ìbírí

Òrisà da justiça

Espírito dos mananciais

Kaurí de Nàánàá

Precioso kaurí

Senhora Nàánàá a mais bela

 

Poderosa estou a seus pés

Nàánàá poderosa

Poderosa estou a seus pés

Nàánàá a mais bela